Dia da Bengala Branca – EB1 de S. Bartolomeu

No dia 15 de outubro

dia da bengala branca

Anúncios

Concerto da banda “Música do Silêncio” na Escola Poeta Silva Gaio – Ecos no Diário de Coimbra

Banda do Silêncio 1034 Banda do Silêncio 2035 Banda do Silêncio 3036

Surf Adaptado

Foi no âmbito da consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico que nos associamos a este evento que, no dia 31 de Agosto de 2013, se realizou na praia da Cova Gala.

Mais um dia diferente com o lema “ Nós Não Queremos Saber se é Difícil, Apenas se é Possível!”

O objectivo era trazer à praia pessoas com deficiências físicas ou outras para que, com o apoio de monitores com competências específicas, pudessem desfrutar da boleia das ondas.

SURFaddict pretende mudar mentalidades, tornar mais ténue a barreira da exclusão, estreitar relações (espírito de grupo), proporcionar bem-estar físico e mental e contribuir para o reforço da auto-estima.

Este slideshow necessita de JavaScript.

“Consegue um cego sonhar com imagens?”

Veem ou não veem? Ouvem ou não ouvem?

16 de Junho, 2012 por Ana Cristina Câmara

Veem ou não veem? Ouvem ou não ouvem? – essas são as questões, para as quais não há respostas de sim ou não, quando se trata de sonhos. Consegue um cego sonhar com imagens? Pode um surdo escutar sons nos seus sonhos?

A igreja de Belide, Condeixa-a-Nova, perto de Coimbra, surge plantada no meio do Rossio lisboeta. Nem o edifício nem a praça aparecem como são hoje – mas como eram há mais de 40 anos. Sai da estação de comboios do Rossio, atravessa e faz uma paragem gastronómica na Beira-Gare, para umas bifanas e um dedo de conversa com o Gonçalves e o Filipe, funcionários que reconhece pela voz. Já de estômago confortado, regressa à rua e dobra a esquina, passando ao lado da velha farmácia Estácio. Surge então à porta da igreja o Ti António Branco, o sacristão da terra, com a sua voz atual, gasta por mais de 80 anos devida, numa conversa em que passado e presente se entrelaçam. E, de repente, acorda. Era o sonho, manta de retalhos visual, de António Pinão, 56 anos, cego há mais de 40.

Este e outros sonhos foram relatados numa das salas da APEDV – Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais –, onde, a pedido do SOL, quatro invisuais, a quem a cegueira chegou de formas diferentes, em diversos momentos da vida, relataram as suas experiências oníricas. A questão de partida era: como sonha alguém que não vê? Tem imagens visuais?

Tem. «Tive um casamento de 46 anos, o meu marido morreu com 79 – já era uma pessoa com uma idade um tanto avançada. Mas quando sonho, ele é sempre jovem, com o fardamento da companhia, um homem garboso como ele era», conta Maria Paula Viegas, 72 anos, que desde pequena sofre de uma retinopatia pigmentar, doença hereditária.

Sonhar como quem vê

Em miúda, já via muito mal, sentava-se nas carteiras da frente para vislumbrar as letras a giz no grande quadro de ardósia preta. Na rua, onde gostava de brincar, o berlinde, o salto ao eixo, a bola aquietavam-se com o lusco-fusco – Paula não conseguia discernir nada nessa altura.

Com o avançar dos anos, já não era só a penumbra a sua inimiga: a forte claridade uniu-se à escuridão para lhe complicar ainda mais a vida. Passou a usar óculos escuros para amenizar o efeito da luz. «Também notava, por exemplo, que, para atravessar a rua, já não via de lado: tinha de virar mesmo a cabeça para um lado e para o outro – ficamos com uma visão tubular», explica, de olhos bem abertos, virados para a sua interlocutora. Numa primeira impressão, a cegueira de Paula é quase imperceptível.

A visão continuou a degradar-se. Hoje, vê vultos – e tem de haver um contraste de cor. «Por exemplo, estou a observar a sua cabeça porque apanha a parede branca atrás». E consegue perceber que nessa cabeça o cabelo é castanho muito escuro? «Não. É escuro? E não consigo ver se tem os olhos abertos ou fechados nem descortinar as suas feições», remata.

Nos sonhos, tudo muda. «Vejo nitidamente», sorri. «Não sonho muito com cores. Esta doença tira um bocado a realidade das cores. Talvez nos sonhos veja mais a preto e branco. As cores são enganadoras. Por exemplo, não sei de que cor é a sua camisola mas, para mim, é preta». Na realidade, é violeta.

Sentada à mesma mesa, na APEDV, está Elisa Gaboleiro. Cegou subitamente há sete anos, aos 43. Não vê nada – nem se apercebe da claridade do sol. «Faz-me confusão porque nos sonhos vejo tão bem… Tudo o que vi, sonho. A face da minha filha, a do meu marido, das pessoas amigas. É como se eu estivesse a ver aquilo tudo. Agora, posso sonhar consigo – mas nunca verei a sua cara: terá um rosto, mas não o consigo definir, não terá feições, mas verei a sua roupa», esclarece Elisa. «Tenho um sonho magnífico, em que vou de mota e vejo as paisagens, o Guincho… É a liberdade», conta, de sorriso rasgado. Paisagens são algo que José João Cabrita, de 53 anos, nunca viu. Cegou aos oito meses, ficando-lhe um «resíduo visual», que lhe permitia distinguir vultos, mas não formas, e que perdeu por volta dos 12 anos. Hoje não vê nada. E nada é nada – não é preto nem branco. É nada. «Nunca fiquei com a noção das cores – ou seja, quando sonho, não sonho com cores. As pessoas às vezes dizem ‘Então vês tudo preto?’. Para mim não há cor. E atualmente já não sonho com aquele resíduo que dava para perceber se estava mais escuro ou mais claro, se estava sol ou não», explica ao SOL José João.

Sonho táctil

Então com o que sonha? «Só com a realidade táctil e com sensações de calor, frio, de estar na água…», enumera. «Não sonho preto. Nem branco. É ausência de cor, negação da cor. Para quem vê, isto não é fácil de explicar», reconhece. E, de facto, a visão é um sentido tão preponderante e esmagador no quotidiano de quem vê que se torna praticamente impossível eliminá-lo e tentar entender o que José João explica.

António Pinão – que sonhou com a igreja da sua terra plantada no meio do Rossio –, o quarto elemento da mesa, procura esclarecer: «Para ver escuro ou branco, é preciso ver. Uma pessoa que vê nunca consegue, por mais que feche os olhos, ter a noção exata do que é a cegueira», diz o psicólogo, que já orientou  a tese sobre atividade onírica em pessoas cegas de uma aluna de licenciatura no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

«Para a pessoa cega, a meia-noite no cimo da serra de Sintra, numa noite nublada, é exatamente o mesmo em termos visuais do que ao meio-dia no Rossio sob um sol resplandecente», sublinha António.

José João Cabrita retoma o fio à meada. «Só temos a nossa perceção. Quando sonho com um carro, sonho com aquilo que estou a apalpar: tenho de o sentir.

Tateando, posso sonhar que ele tem duas, três, quatro ou cinco portas. É a realidade que tenho: a imagem táctil. Posso sonhar que estou cheio de frio ou de calor. Ou que me vão atropelar – e ouço o carro, mas não o vejo».

A galinha que o cego vê

A neurologista Teresa Paiva, fundadora do Centro do Sono, levou a cabo estudos sobre cegos congénitos. Ao SOL, a médica explica: «Se os sonhos são sobretudo imagéticos e as imagens resultado de uma aprendizagem, sonham ou não com imagens pessoas que nunca as viram? Tentámos arranjar indicadores biológicos que se passam em indivíduos normais quando veem uma imagem». Quiseram verificar a ocorrência desses mesmos indicadores nos cegos – ela existia. «Eles descreviam imagens e cenas nos sonhos, apenas sonhavam um bocadinho menos». E, a pedido dos investigadores, desenharam as imagens que viam nos sonhos – «a imagem que um cego tem de uma galinha pode não ser a mesma de uma pessoa que vê. Mas a questão é que ambos têm a imagem de uma galinha. É bem mais complexo e complicado do que nós pensamos», conclui a neurologista.

Para José João, cego desde os oito meses, o que é sonhar com pessoas? «É ouvi-las. E poder tocá-las. Como se estivesse no real. Se eu sonhasse consigo, sonharia com a sua voz», afirma. E exemplifica: «Já sonhei aqui com o dr. Pinão…».

– Vê lá, não te estiques!, brinca o visado.

– Não há uma imagem, há a sensação de que ele é ligeiramente mais alto e mais forte do que eu, continua.

– É careca, não é careca?, corta Elisa (e, sim, é careca).

– Não, não faço essa imagem. Toco nele, sei mais ou menos como ele é, e é com isso que sonho, não é com olhos nem com cabeça.

– É porque ele tem essa consciência de que sou mais alto e isso aparece-lhe depois, no estado mental inconsciente, intervém António.

– A voz dele vem um pouco mais de cima, explica José João.

Nascido há 56 anos com um glaucoma congénito, que evoluiu para a cegueira total aos 15 anos – aos 12 ainda lia as letras maiores dos jornais –, António Pinão guarda, no seu «baú das recordações», imagens visuais. «Não tenho, nos sonhos, a noção de cores porque, com a perda da prática da visão, essas imagens inconscientes também se vão apagando por não serem alimentadas», diz.

E faz um comentário curioso – a palavra ‘azul’ destapa a recordação do azul, que ele consegue imaginar. «Se de repente começasse a ver e olhasse para este casaco [que traz vestido], eu diria logo ‘é azul-escuro’. Mas se fosse uma dessas cores esquisitas de agora, que não experimentei visualmente, porque há 40 anos não eram comuns, eu não saberia dizer que cor é». Ao que José João acrescenta: «Se eu agora começasse a ver e olhasse para o casaco do António, não saberia dizer que é azul-escuro, teriam de me explicar».

A cor é um nome

Só para baralhar um pouco mais, António atira mais uma informação: «A pessoa cega de nascença pode sonhar com cores – mas é só com nomes, não com a realidade visual, mas por causa do léxico que tem interiorizado». Ou seja, para alguém que nunca viu, o amarelo, o verde, o vermelho são apenas isso: nomes sem uma existência visual. É como José João dizer que sabe que o céu é azul – e percebe por que razão, física, ele se apresenta dessa cor – mas azul é cor que, para este homem, não existe.

Já em jeito de fim de conversa, e sabendo que tentar-se-ia perceber como sonham pessoas surdas (ver página seguinte), os dois colegas da APEDV opinam: «Devem ser sonhos essencialmente visuais, como num filme mudo. Penso que será por aí», arrisca José João. «Não vejo outro caminho», remata António.

Igualdade à mesa – Revista Visão 983

Mais um pequeno passo a caminho da igualdade de oportunidades.

“… também há cães guia? Para que servem ?

A  ABAADV (Associação Beira-Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual – Escola de cães Guia de Mortágua) realizou uma ação de sensibilização, dirigida aos alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico com o objetivo de lhes dar a conhecer mais um elemento facilitador para a vida das pessoas com Deficiência  Visual. Graças ao cão guia estas pessoas podem mais facilmente sair e deslocar-se, descobrindo uma autonomia que perderam ou mesmo nunca tiveram.

Esta Associação tem como objectivo o apoio e a integração social, cultural e profissional das pessoas com Deficiência Visual.

Docente de Educação Especial Ana Matos

Visita de Estudo à Quinta da Paiva – EB/1 Silva Gaio

Os alunos da escola do 1º CEB da Silva Gaio realizaram a sua visita de final de ano à Quinta da Paiva.

Este slideshow necessita de JavaScript.